Espaço Lab como ferramenta indutora de ideias, protagonismo e iniciação científica

09/11/2021 - 11h25
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Jovens se sentem à vontade para por em prática suas ideias

Diego Aron, 18 anos, é um dos frequentadores do espaço Senai Lab, no Senai Várzea Grande, local de efervescência de ideias, empreendedorismo, de troca de conhecimento e de ‘descompressão’. Por lá, mais do que computadores, ele os demais estudantes dos cursos do Senai e do Novo Ensino Médio Sesi Senai têm à disposição itens como impressoras 3D, cortadoras a laser, kits de robótica, entre outras ferramentas tecnológicas.

Com mesas e cadeiras dispostas em formatos que incentivam interação e trabalhos coletivos, o espaço conta ainda com tutor para orientar, tirar dúvidas e auxiliar nos trabalhos curriculares e extracurriculares. E foi nesse ambiente que Diego e seus colegas do curso de Técnico em Manutenção Automotiva Pesada, em parceria com a Bom Futuro, Davi Lopes e Jully Gabrielly Paixão desenvolveram um projeto com foco no reaproveitamento do filamento de impressoras 3D, como parte de suas atividades de pesquisa.

A ideia dos estudantes é que o material descartado na confecção de protótipos seja usado pela indústria no desenvolvimento armações de óculos de baixo custo. O projeto acaba de ser premiado na categoria Economia Criativa na Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Mecti), que também trouxe reconhecimento ao instrutor Tiago Finati, responsável pelo Senai Lab, que foi um dos orientadores premiados com uma bolsa oferecida pelo CNPq.

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Conduta dos instrutores é de dar liberdade aos estudantes

“Este é um ambiente incrível. De fato, é um lugar descontraído, onde a gente produz conhecimento. Além disso, que proporciona interação e desenvolvimento das relações interpessoais, algo que eu tinha mas não tinha com tanta ênfase nas escolas onde estudei”, afirma Diego.

O orgulhoso instrutor Tiago explica que o local é um espaço de ideias, onde os alunos podem desenvolver seus projetos, geralmente para editais de inovação, como o Inova Senai, o GrandPrix Senai de Inovação, entre outros. “A gente traz problemas reais da indústria e, através desse tipo de competição bem sadia, eles conseguem criar soluções”.

De acordo ele, o ambiente propicia que os estudantes criem protótipos, façam testes, invenções e aprendam de forma mais prática. “Aqui, eles pesquisam, demonstram se aquela ideia é plausível ou não, se é programável ou não, fazem prototipagem, montagem, execução, enfim, todo o processo de criação e execução. Um verdadeiro ponto de encontro de pessoas que querem fazer diferente e fazer a diferença”, comemora.

Durante o ano letivo, cada unidade curricular, em cursos técnicos do Senai e também na jornada do Novo Ensino Médio, podem desenvolver uma aprendizagem que envolva o espaço lab e projeto de pesquisa. E não precisa estar ligado diretamente à disciplina.

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Diego e Jully orgulhosos do resultado do trabalho de pesquisa
sobre reaproveitamento de filamentos de impressora 3D

“Um estudante que está trabalhando com pintura automotiva e quer cortar um adesivo a laser, para colar no carro, pintar por cima e fazer um design legal. Cortar adesivo não faz parte da grade curricular dele, mas o professor pode trazê-lo aqui para fazer isso. O aluno vai ver aquilo acontecendo e, no futuro em sua profissão, se ele precisar fazer, já vai saber como funciona”, exemplifica Tiago.

A máxima usada pelos instrutores é de dar liberdade aos estudantes. “Além de o aluno ser o protagonista, ele ganha asas aqui dentro. São jovens, cabecinhas pensantes e a gente oferece as ferramentas para que eles coloquem isso em prática”.

O gerente do Senai Várzea Grande, Vivaldo Matos Filho, afirma que trata-se de preparar os alunos para o futuro. “Por aqui, eles podem desenvolver atividades que, normalmente, fariam num ambiente de faculdade. Mas estão aqui, no curso técnico ou no ensino médio já trabalhando dessa maneira. A gente adianta o processo, mas de uma forma positiva, contribuindo também para a formação do censo crítico e maturidade desses jovens”.

 

Iniciação científica

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Projeto Reglass será apresentado na edição 2022
da Febrace, evento que ocorre em São Paulo

Quem passa pelo espaço nota jovens motivados a pensar, refletir, discutir e construir estratégias de solução e dispostos a sair de seu papel de alunos passivos para função de atores e autores do processo. Assumindo responsabilidades, encarando o protagonismo, eles buscam também na iniciação científica (IC) uma forma diferente do aprendizado ministrado dentro de salas de aula.

Mais um exemplo disso, são as alunas Isabela Gaudie, Anna Carolina Gomes, Allana Agostiny e Júlia Oliveira do Novo Ensino Médio – que desenvolveram um projeto denominado Reglass, com o propósito de reutilizar vidros descartados para a fabricação de matéria prima na construção civil.

A ideia também foi vencedora na edição de 2020 da Mecti e o grupo recebeu o convite para se apresentar na Febrace, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, na Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, em 2022.

“Este reconhecimento é um incentivo muito grande. A gente vê que, realmente, é possível desenvolver projetos interessantes por meio da pesquisa científica, e que a nossa ideia está indo para frente. Dá aquele ânimo para continuar e também para incentivar outras pessoas. Nesta trajetória, nós desenvolvemos várias habilidades e adquirimos novos conhecimentos”, destaca Júlia, que pretende cursar a faculdade de Psicologia.

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Para a jovem, toda a bagagem adquirida com a iniciação científica será de grande valia no percurso do ensino superior. Além disso, ela destaca o progresso no comportamento e desenvolvimento pessoal. “A pessoa que eu era quando eu entrei no Novo Ensino Médio Sesi Senai não é a mesma que vai sair daqui, em dezembro, quando finalizo o curso. Entrei uma menina completamente tímida, tinha vergonha de falar, de olhar para as pessoas, e segurar um microfone, para mim, era impossível. Foi um progresso muito grande e eu sei que as outras pessoas também percebem isso”.

Para a coordenadora de Educação do Sesi Mato Grosso, Cintia Silva, a experiência de começar um projeto de pesquisa científica ainda no ensino médio proporciona aos jovens estudar de forma independente, compreender conteúdos acadêmicos, além de servir como porta de entrada para produção científica na universidade.

“Eles passam a entender a importância da dedicação a uma pesquisa e ganham maturidade para discutir conteúdo. Além disso, buscam resultados através de pesquisas, ampliando seus horizontes, pensamentos e desenvolvimento, tanto acadêmico como profissional”, pontua Cintia.

Texto e fotos: Viviane Saggin

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