Combate ao coronavírus: Senai MT atinge meta de 5 milhões de máscaras produzidas e finaliza projeto

19/09/2020 - 07h38

Desde o início de abril, a equipe formada por 100 costureiras profissionais e 250 faccionistas da fábrica de máscaras instalada no centro de eventos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Mato Grosso (Senai MT), em Cuiabá, se empenhou para produzir o item tão necessário no combate à pandemia. A importante missão se encerrou na sexta-feira (18) com entrega da última remessa de 5 mil peças, totalizando 5 milhões de máscaras produzidas.

A ação, realizada em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), beneficiou os profissionais da saúde que atuam diretamente na luta contra o coronavírus nos hospitais do estado. Além disso, representou fonte de renda aos envolvidos na confecção.

Durante a cerimônia, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, destacou a importância da parceria com o Senai e do trabalho das costureiras. “Praticamente todos os profissionais da saúde do estado utilizaram máscaras produzidas por vocês e que possuem um nível de qualidade e de segurança maior do que as industrializadas”.

Segundo Figueiredo, não se tratou apenas de um projeto de fabricação, mas sim um projeto social, que teve grande abrangência na vida das pessoas. “Neste sentido, estamos vislumbrando a continuidade de uma parceria, avaliando o que poderíamos produzir para estender o trabalho, permitindo aos profissionais mais alguns meses de trabalho e renda”.

Para o diretor da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) e presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sinvest), Cláudio Vilela, o trabalho construído foi gigante e resultou em benefícios para o estado e para os profissionais envolvidos.

“Isso demonstra também o quanto a indústria do vestuário é importante para a sociedade. Somos uma atividade com grande aproveitamento de mão de obra, de mulheres na faixa da meia idade, com baixa escolaridade, pessoas que têm poucas oportunidades de emprego em outras áreas. Neste momento, em que o mercado começa o processo de recuperação, essa mão de obra será muito útil”.

O empresário do setor de confecção Sérgio Antunes, também avalia que a experiência adquirida pela equipe pode abrir portas. “Quem aprende a costurar sempre terá oportunidade e emprego e renda. O mercado é muito dinâmico, absorve mão de obra muito rapidamente e a pessoa pode ainda ter sua própria fabricação. O importante neste projeto é que teve um ritmo de produção, o que atesta agilidade às profissionais”.

A diretora do Senai Mato Grosso, Lélia Brun, enfatizou o sentimento de dever cumprido. “O início foi um desafio, mas com competência técnica e estrutura que o Senai possui e o engajamento da equipe superamos as adversidades. “A dimensão social é imensurável. Aprendemos muito com essa experiência e acreditamos que podemos contribuir ainda mais com a sociedade para a construção de espaços melhores”.

Lélia lembrou ainda que, após identificado o desejo de muitas costureiras a seguirem a profissão, o Senai disponibilizou bolsas de estudos, a partir da gratuidade regimental. “Das 100 profissionais que atuaram, 45 irão fazer cursos técnicos na área do vestuário e as demais cursos de qualificação. É o Senai ofertando a educação profissional, conforme preconiza nossa missão”.

Esforço recompensado

A fábrica alcançou a média diária de produção de 62 mil máscaras, antecipando em um mês a finalização do projeto. A costureira Doralice de Brito afirma que foi um grande desafio, ainda mais por não ter tido experiência anterior com o tipo de equipamento profissional utilizado.

“No primeiro dia consegui produzir 60 peças e tive dúvidas se conseguiria ampliar a produção. Mas resolvi dar continuidade ao que tinha me proposto. O fato de sabermos que estamos fazendo algo para ajudar ao próximo, para mudar uma realidade, para cuidar de alguém, e que essa pessoa, lá fora, vai usar aquilo que fizemos com nossas próprias mãos é muito gratificante. Hoje, sou mais grata, mais solidária”, avalia.

A venezuelana Anyuska Aguirre garante que todo o esforço foi recompensado, não apenas financeiramente, mas como experiência de vida. “Conheci muitas pessoas maravilhosas, gente de toda parte, conterrâneas que eu nem sabia que estavam aqui em Cuiabá. O compartilhamento, a convivência e o aprendizado não tem preço. Me sinto parte de um projeto importante que ajudou muitas pessoas”.

Segundo a coordenadora de Ações Inclusivas do Senai, Denise Molina, a fábrica foi além do que os olhos podem enxergar. O projeto transformou vidas oriundas da invisibilidade social e que se tornaram protagonistas de suas histórias.

“No auge da quarentena, as pessoas que se alistaram venceram o medo, a dificuldade com o transporte, em sua grande maioria, passando 12 horas sentadas e produzindo. O trabalho foi realizado com garra, encorajamento e metas diárias. Pude ver muitas mulheres que saíram de quadro de depressão, que eram agredidas em seus lares, que nunca imaginavam que poderiam sair de casa e conseguir um trabalho. Pessoas que melhoraram suas casas, concretizaram projetos e realizaram sonhos tão simples, mas tão regados de significados”, finaliza.

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